"Não se pode olhar a lua sem se fazer política." (Augusto Boal)
Tudo o que se faz é política. O movimento Tropicália, não poderia deixar de ser. Formado por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, etc, o Tropicalismo vinha do standart (arte da transformação, arte que modifica), como oxigênio para "enfrentar" a Ditadura Militar. Sendo visto pelos seus adversários como um movimento sem comprometimento político, um movimento comum, (como tantos outros), de crítica a Ditadura, o "foco" da Tropicalia não era estabelecer realmente, nenhuma referência as estruturas políticas-ideológicas que o Brasil estava passando, mas sim, que o poder "estético" valia por sí só como "revolucionário".
Espalhando o caos e encontrando-se no "senso crítico", o Tropicalismo conseguiu em meio a um gigantesco buraco negro da Ditadura, compor músicas que transformaram o país e ter músicos que inspiraram o mundo. A Tropicália conseguiu definitivamente, romper a ortodoxia crítica que dizia que o "valor" da produção de música popular brasileria "séria", só estaria ligado diretamente a uma política de esquerda e nacionalista!
Pensando em englobar os acontecimentos da Ditadura, dos Anos Rebeldes, fica claro que todos eles - Movimento Estudantil (rebeldia dos jovens nos EUA), Revolução Sexual, Cinema Novo (Glauber Rocha revolucionou o entendimento de transformação da arte com o filme "Terra em Transe"), Festvais de Música, os Hippies (que em Paris tomavam as ruas, espalhando esse então "conceito" de vida e de existência para o mundo), o Exílio, a disputa entre Direita e Esquerda - sem exceção, foram o "combustível" para a liberdade de criação expansionista do Tropicalismo.
O documentário "Política Intervencionista dos EUA na América Latina", do premiado jornalista John Pilguer, traz em um dos depoimentos, uma frase do ex presidente dos EUA, Richard Nixon, o que disse uma vez em relação a América Latina que: "As pessoas não querem saber do lugar onde vivem."Ele estava errado. O grande desejo dos EUA, como Império Moderno, é o de dominar todo o continente latino-americano, não se contentando apenas, com o quintal da sua própria casa e foi "impulsionado" por isso, que o Tropicalismo não surgiu a partir do "momento Rock" que o mundo estava vivendo, mas sim, de "sub-pressões" das inverdades.AI-5: "O Estado poderá suspender os direitos políticos de qualquer cidadão."
Stella Curzio
Interessante que você começa com a observação de que tudo é política, e sem dúvida tudo é política porque as relações de poder permeiam toda e qualquer relação na malha social. No entanto, menciona que a Tropicália não tinha um “comprometimento político, um movimento comum...”, a estética “revolucionária” é uma forma de política, concorda? Por curiosidade, como poderia interpretar a “esquerda nacionalista”? Sem dúvida o foco era direcionado a uma sociedade conservadora, porém, os regimes autoritários alimentam-se do conservadorismo cultural e social, por ser a concepção que se fundamenta na disciplina, hierarquia e moral rígida (com bases religiosas).
ResponderExcluirOs movimentos que menciona estão um pouco “misturados”, apesar deles estarem conectados e contaminados pelo contexto histórico o movimento estudantil ocorreu por diferentes motivos em quase todo o mundo na década de 1970, outra observação é relativa aos hippies que não tomaram as ruas em Paris, assista o filme “Os sonhadores” que mostra bem a diferença.
Adriana Martinez