segunda-feira, 22 de março de 2010

Viva à nação ou viva à seleção?


Mais do que uma simples ideologia, o nacionalismo se mostra como uma forma de explicar um orgulho exacerbado pela própria pátria e preconceito com pessoas de outras etnias ou nacionalidades.
No clube Atlético de Bilbao há uma clara demonstração da ideologia nacionalista. O time do País Basco é formado somente por atletas nascidos na região. O argumento para a exclusão é que o time deve valorizar a própria cultura e por esse motivo nenhum jogador espanhol ou de qualquer outra nacionalidade pode fazer parte da equipe. No país, esse tipo de comportamento é de certa forma comum, já que há tempos os bascos tentam sem sucesso a separação da Espanha, liderados pelo grupo ETA (Euskadi Ta Askatasuna).
O Brasil não está isento desse tipo de patriotismo, a diferença é que em nosso país a ideologia se manifesta com mais intensidade nas épocas de Copa do Mundo. Em outros momentos, alimentamos um “nacionalismo mascarado”: que só existe quando algo bom acontece no país ou quando resolvemos reivindicar algo que de fato pode afetar nosso cotidiano. De quatro em quatro anos mostramos ao mundo o quão patriotas somos ao não trabalharmos em horário de jogos da seleção e vestirmos verde e amarelo, simbolizando o orgulho de ser brasileiro. Mas quando não há grandes competições de futebol passamos os dias reclamando dos políticos, da falta de empregos e tantas outras coisas, e dizendo a quem quiser ouvir o quanto o Brasil é subdesenvolvido e ultrapassado.
O “nacionalismo” brasileiro não é o nacionalismo fundado nas raízes da ideologia patriótica, do amor pelo país nem da preservação da cultura nacional, mas o do orgulho passageiro que só aparece quando convém. O brasileiro só vai poder se considerar nacionalista ou patriota quando deixar de ser apenas o “único pentacampeão mundial” e começar a defender o lugar onde nasceu mesmo com todos os defeitos que ele possa ter.

Brunno Minelli
Costantino Nicholas
Marília Torello
Marina Sakovic
Rafael Abreu
Renan Palhares

Um comentário:

  1. No artigo de vocês encontrei várias contradições, além de alguns juízos de valor e confusões conceituais. Começando pelas contradições parecem discordar com o País Basco por só contratar jogadores da região e por outro lado desejariam que os brasileiros fossem nacionalistas. Vejam o patriotismo é a base do nacionalismo e quando vocês enaltecem pelo avesso tanto o nacionalismo (pela sua falta), principalmente no “amor pelo país e a preservação da cultura nacional, o orgulho, etc.” pergunto-me o que foi entendido pelo grupo sobre nazismo por exemplo, ou sobre os perigos do nacionalismo exacerbado. Equívocos conceituais precisam ser revistos como por exemplo: o que é a cultura nacional num país que é multicultural e a identidade nacional foi forjada além de predominar uma cultura dominante em detrimento da exclusão de outras culturas como a indígena e a negra? Quando falam de “ideologia patriótica” o que querem dizer? Precisam rever o conceito de ideologia ele significa: formas de conhecimentos ilusórios que mascaram os conflitos sociais e servem de instrumento de dominação de classe. Penso que conceitos devem ser revistos pelo grupo.
    Adriana Martinez

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