
Alguns sentimentos que nos ligam a pátria onde nascemos sempre foram cultivados e reacendidos em momentos importantes na história. A percepção que nos orienta é de uma relação constante de amor e ódio envolvidos em uma gama de emoções guiados pelo que chamamos de nacionalismo. Quando o sentimento do nacionalismo se exacerba, as conseqüências costumam ser aterrorizadoras, como foi o holocausto nazista durante a segunda guerra mundial e os atos do general Franco na Espanha.
Outro caso que o sentimento nacionalista foi exacerbado aconteceu na Irlanda. Anexado ao Reino Unido no século XIX pela assinatura de um tratado (Union Act), os movimentos pela libertação e desanexação sempre correram pelo país. No inicio do século passado, surge o movimento nacionalista que vai lutar pelo fim do domínio inglês e, leva ao surgimento da Irlanda do Norte. O Exército Republicano Irlandês ou IRA, que tem sua fundação datada do ano de 1919, tinha em suas ideologias o sentimento de ver a Irlanda do Norte livre do controle da Inglaterra e reanexar a República da Irlanda para a criação de uma só nação. Mas mesmo com a separação, os irlandeses do norte ainda ficam sob controle britânico.
A partir dos anos 60 que atuação do IRA começa a se tornar radical e o grupo ser considerado terrorista e paramilitar. Após tentativas fracassadas de separação, o governo inglês ocupou com forças militares o país em 1969, dissolvendo o congresso e assumindo pela totalidade as funções administrativas e econômicas do país. Causa essa que revoltou os ativistas do IRA, que decidiram realizar ataques e sucessivos levantes violentos contras os militares britânicos para reaverem o poder.
O IRA continuou em guerra contra os britânicos até 1998, quando foi assinado um pacto com os representantes do governo norte-irlandês, do grupo nacionalista e os britânicos sob a supervisão do então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton que concedia maior autonomia ao país.
O grupo, após longas negociações e pressões externas, declarou formalmente o fim da campanha armada contra o exército do Reino Unido. O anúncio realizado em 2005 colocaria fim a mais de 40 anos de medo e terror na região, que resultaram em mais de 3 mil mortes. As buscas pelos objetivos do IRA seriam feitos de formas pacíficas. Mas alguns radicais do partido não concordaram e continuam sua luta pela independência, chegando até a discutirem a formação de um novo movimento. Especialistas afirmam que a briga por direitos é um dever e direito de qualquer cidadão do mundo, mas quando ele usa da violência, a causa perde o sentido.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u43380.shtml
Ana Carolina Souza
Bethânia Morico
Guilherme Pallesi
Luiz Felipe Zamataro
Luiz Paulo Montes
Thais Carvalho
O artigo tem informações que precisam ser analisadas por separado e para isso é importante a contextualização histórica. Vejam quando falamos de século XIX estamos apontando para um momento no qual os Estados Nações estão sendo formados com suas características próprias e o forjamento de sentimentos nacionalistas, conforme estudamos em sala. Desse modo, a Irlanda não admitir mais ser colônia britânica e formar seu Estado era “legítimo”. A luta pela independência nesse caso toma uma conotação histórica que é difícil poder assinalar como nacionalista. Outra questão está relacionada ao terrorismo, na contemporaneidade, ficou mais fácil atribuir essa definição pejorativa escondendo, assim, o caráter nacionalista do Estado britânico, para fomentar o repúdio ao movimento de libertação. Sem dúvida, os conflitos entre etnias e culturas diferentes perderam a característica de lutar para manter sua marca distintiva e acabaram por se posicionar ao atributo reacionário da criação do Estado, num momento em que está cada vez mais discutindo-se a soberania nacional ante a criação de blocos.
ResponderExcluirAdriana Martinez