Definida por Marx, “ O socialismo é uma forma de produção”. Mais a qual produção ele se refere? A produção que o nacionalismo é uma ideologia particular e universal, no qual suas características são fortes e onipresentes, onde legitima as nações pelo fato da sociedade está organizada em estados-nação; Mais que pode assumir uma característica radical com consequências violentas ao invés de resultantes.Partindo disso, vamos analisar o nacionalismo no futebol brasileiro, buscando apontar diferenças entre países como Brasil e Estados Unidos, a cultura Popular e a Midia.
De quatro em quatro anos o Brasil todo se tinge de verde e amarelo. As lojas de roupas começam a mostrar seus novos modelos estilizados, com o nome do país do futebol, por um valor maior do que seria vendido fora dessa época. Isso mesmo! As pessoas só consomem roupas do Brasil de quatro em quatro anos, fora isso, o mínimo que elas usam é o famoso “I Love USA”.
Tirando o carnaval, a copa é a “festa” que os brasileiros mais esperam, o comércio fecha na hora do jogo, as pessoas largam tudo que estão fazendo para vibrar junto e acompanhar cada partida da seleção, em dia de jogo as pessoas que trocavam apenas olhares todas as manhãs no metrô, agora trocam palavras empurradas pelo entusiasmo de falar do futebol, do vencer, do seu país... Nesse dia, milhares de dedos estalam de ansiedade para sair mais cedo do trabalho e assistir ao jogo. Nos transportes, a festa e a briga para chegar o mais rápido em casa são intensas.
De fato, o futebol é a verdadeira paixão do brasileiro. A diferença mais acentuada entre o futebol inglês e o brasileiro nos seus primórdios diz respeito à profissionalização. Na Inglaterra, por exemplo, ela foi primordial para a popularização do esporte e no Brasil a profissionalização só ocorreu porque os jogadores estavam emigrando para países que pagavam salários mensais (principalmente Argentina, Uruguai, Espanha e Itália).
O País do futebol pode ser considerado um sinônimo para o Brasil. Mas não se assuste, em dia de copa é normal o Brasil parar de funcionar. É esse entusiasmo quem guia o estado de espírito das pessoas, elas vestem a camisa do seu país até a sua vitória, porém, tudo pára aí. Independente de mais uma taça ou não, quando acaba, o Brasil perde as suas cores e tudo volta para o rotineiro cinza de cada um.
Se olharmos do ponto de vista da cultura popular brasileira também vamos identificar traços desse nacionalismo exagerado. No verso da música “moro num país tropical, abençoado por Deus”... ou na expressão popularesca “Deus é brasileiro”, encontramos um nacionalismo ligado à religiosidade, o quê é ainda mais perigoso. Em fatos cotidianos também podemos observar à mesma situação.Recentemente, o empresário bilionário Eike Batista, declarou que “o Brasil é o melhor país para se investir no mundo e a atual economia prova isto”. Obviamente que Batista é muito inteligente e sabe que está falando algo muito exagerado e prematuro, mas uma vez que suas empresas têm ações na bolsa e trabalham em território nacional, o empresário usa deste sentimento nacionalista para vender seu peixe.
E do lado midiático? Se fossemos nomear uma forma direta para esse nacionalismo, quando o assunto é futebol, sem sombra de dúvida, a mídia seria a escolhida.
Foi ela que transformou o futebol em festa, que faz o brasileiro despertar um sentimento de esperança em ganhar um titulo que, no final das contas não irá alterar o cotidiano da população. Para o governo essa também é uma época excelente, pois a preocupação de qualquer cidadão é: ‘será que eu vou conseguir assistir ao jogo?’; e não se o governo está aplicando corretamente o dinheiro que arrecada com impostos, se o desemprego aumentou...
E, no final do campeonato se a seleção ainda sair campeã, o governo convida o time e a comissão técnica para ir até Brasília receber uma homenagem. E passa para toda população que ficou dias só torcendo a sensação de que, política e futebol andam juntas, de que ambas estão ‘ótimas’ porque houve uma ajuda do governo para a vitória do país no futebol!
Bruna Campanholo
Bruno Garcia Mirra
Carla Roberta Brasiliense
Dannilo Martins Autorino
Jacqueline Lopes Sobral
Foi uma boa escolha do tema, porém fiquei com algumas dúvidas que passo a comentar. A primeira delas relacionada à frase que colocam de Marx sobre o socialismo e produção, para o filósofo alemão cada época histórica é construída em torno de um tipo de produção econômica, organização do trabalho e controle da propriedade, portanto, a organização da sociedade é determinada pelas relações de produção. Desse modo, não só o socialismo, como o capitalismo também é uma forma de produção. Não sei como relacionam com a produção de uma ideologia calcada no Estado Nação, que sem dúvida é uma ideologia se pensarmos ideologia como formas de conhecimentos ilusórios que mascaram os conflitos sociais e servem de instrumento de dominação de classe.
ResponderExcluirOutra questão que ficou nebulosa é vocês apontarem o fato da população brasileira exaltar o sentimento nacionalista só na copa e depois imitar os americanos, mas vocês estão de acordo com a exaltação do nacionalismo? Por que? Chega a ser contraditório com o início do artigo que diz: “A produção que o nacionalismo é uma ideologia particular e universal, no qual suas características são fortes e onipresentes, onde legitima as nações pelo fato da sociedade está organizada em estados-nação; Mais que pode assumir uma característica radical com consequências violentas ao invés de resultantes.” Ora se tem características violentas para que exacerbar? O nacionalismo uniria as pessoas?
Com relação à profissionalização do futebol eu diria que vai além disso, o antropólogo Roberto Da Matta irá analisar o futebol como um esporte que somente podia nascer na Inglaterra por ser um esporte criado na modernidade sob o sistema capitalista liberal. Sendo assim, como afirma Da Matta “A disputa é regrada, ela segue normas, não é uma disputa em que os competidores não conhecem regras. Esse é um elemento muito novo no mundo moderno. (...), não é o vencedor quem faz as regras. As regras são estabelecidas antes da competição. Antes de competirmos, temos as regras do futebol. O futebol nasceu numa sociedade moderna, a Inglaterra, em que havia o mercado e regras para jogar na Bolsa de Valores, em que o dinheiro tinha cotação, em que havia contratos de trabalho.”
Por último ia ser interessante que explicasse porquê o nacionalismo ligado à religiosidade seria mais perigoso.
Adriana Martinez