segunda-feira, 22 de março de 2010

"O petróleo é nosso"


O nacionalismo surge novamente. Agora como tema de discurso político do governo Lula. É cada vez mais notável esta racionalidade específica utilizada pelo presidente para aprimorar e vangloriar suas ações no país.


Desta vez o lema “O petróleo é nosso” estampa as últimas campanhas relacionadas com a Petrobrás, estatal petrolífera, que será a operadora do pré-sal. Sabe-se que a camada que reúne três bacias sedimentares, está localizada entre cinco estados (Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina).


A Petrobrás, precursora deste tipo de perfuração abissal, já vem explorando essa região há algum tempo, mas ainda não divulgou a quantidade exata dessa reserva. Segundo matéria publicada na revista Super Interessante do mês de março “a Petrobras deverá atingir, em quinze anos, apenas no pré-sal, um volume de extração diária equivalente a tudo que a empresa obtém hoje”.


Com base nesta notícia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apoiou seu discurso falando no progresso, no futuro brilhante que está sendo reservado ao Brasil, caso forem tomadas decisões corretas.


Lula coloca o petróleo como ‘fonte sagrada’ de riquezas para o país. Em entrevista dada ao Jornal O GLOBO ele diz “Vi com os meus olhos e senti nas minhas mãos, na Plataforma P-34 da nossa querida Petrobras, o petróleo que começou a ser produzido no pré-sal. O que assisti ali foi o início de um dos enlaces mais simbólicos da vida deste país. A abertura de uma ponte direta entre riqueza natural e erradicação da pobreza. Iremos transformar uma riqueza perecível, como o petróleo e o gás, em fonte de riqueza perene e inesgotável para o povo brasileiro”. Com essa afirmação o presidente não só abre os olhos dos acionistas e investidores como insiste em lembrar àqueles que desacreditaram da importância da Estatal.


Alegar que isto é progresso para Brasil é possível. Certamente é fácil notar um elemento unificador, que provém de uma moral nacionalista que permanece há tempos dentro do Estado brasileiro. Ressaltando que o pré-sal já foi denominado, inclusive, como uma “dádiva de Deus”. Mesmo ainda não sabendo como irão administrar tais descobertas, o presidente instiga o povo a crer que somos o país do futuro, e, que esse será o salto que a economia necessita para progredir, fazendo – se valer de um discurso nacional – populista, como já foi visto há 40 anos.


O Estado denota a imagem de um símbolo de proteção da população, um patriotismo que passa da moral e chega ao emocional público. O economista ecológico Lester Brown afirmou para o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO que ”encontrar mais petróleo agora pode ser um indicador de progresso. Mas, até conseguir tirá-lo do fundo do mar, talvez ele já faça parte da história”. Contudo, o país não deve se perder nas promessas feitas a cerca do petróleo do pré-sal, nem manter todas as suas apostas nas fontes renováveis.


O governo estabeleceu que uma parte dos lucros do pré-sal irá para o ‘Fundo Social’, criado para aplicar a receita do petróleo em setores como educação, infraestrutura, ciência, tecnologia e meio ambiente. Agora resta saber se os planos do Estado em relação a essas riquezas serão realmente aplicados.


Fica fácil de compreender porque o brasileiro aderiu ao slogan de que nunca desiste. Mais uma vez, somos parte desse mesmo sentimento, de uma lealdade ilusória, que a todo o momento é transmitida de maneira sensacionalista, a fim de nos remeter a esse nacionalismo que realmente não leva a lugar algum.


Já tínhamos o carnaval, o futebol, agora somos ‘donos do pré-sal’. E daí?


Nesse momento, o que realmente importa são as decisões a cerca dessa nova fonte de renda e as consequências que estas trarão para a população brasileira de um modo geral.


Além de esperar por esse futuro tão próspero prometido pelo Estado, é chegada a hora do cidadão atentar-se a essas promessas e exigir que sejam realmente cumpridas sem atos de corrupção, de maneira regulamentada, correta, e, sobretudo com responsabilidade. Deixando esse 'orgulho nacional' um pouco de lado para abrir espaço ao que realmente importa: o papel de cada um de nós, cidadãos, nesse contexto.





Carlos Alberto

Dayana Holanda

Fernanda Galib

Mariana Ledo

Samia El Saifi

Um comentário:

  1. A proposta do trabalho era a de fomentar a reflexão através da análise do discurso midiático que contribui para formar uma ideologia nacionalista. O grupo acabou por se posicionar em relação à questão do pré-sal e esquecendo a análise mais ampla da questão. É evidente que está sendo feito um uso político da descoberta dessas novas reservas petrolíferas, assim como está reproduzindo-se um slogan de um período histórico anterior, utilizado justamente num período populista e nacionalista da era Vargas, momento histórico com características semelhantes ao nazismo, mas não é isso que o texto destaca. Seria interessante notar que apesar do que se diz nos jornais e no governo, algumas coisas não mudaram dos governos autoritários para a democracia no Brasil: o uso de certos acontecimentos (nesse caso o petróleo, mas poderia ser o futebol ou a "natureza exuberante do Brasil e da mulher brasileira" por exemplo) como motivo de exaltação do nacionalismo.
    Mais cuidado na revisão gramatical: não foi com base na notícia da revista Superinteressante que o presidente tomou decisões relativas a sua política de petróleo, mas o texto dá a entender isso.
    Adriana Martinez

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