sábado, 20 de março de 2010

Futebol e eleições aumentam o sentimento nacionalista dos brasileiros

Ana Claudia Rodrigues
Camila Murari
Renan Carvalhais


2010 é ano de eleições e Copa do mundo, nada mais perigoso para aflorar o sentimento nacionalista dos brasileiros que, movidos pela paixão do futebol, se “esquecem” dos problemas do país e a importância da política no cotidiano de cada um. Todos os recentes escândalos envolvendo grandes políticos e autoridades do Brasil ganham pouca importância quando a grande massa de brasileiros tem seu poder compra aumentado e vive em um país que será sede do próximo mundial da Fifa e das Olimpíadas de 2016.

Os discursos do presidente Lula contribuem, também, para aumentar este sentimento que, quando exagerado, pode tornar toda uma nação alienada de sua realidade. É comum ouvirmos nosso presidente dizer, em visitas a outros países ou até mesmo durante viagens internas, que o futuro já chegou por aqui ou que em 10 anos o Brasil será uma das cinco nações mais ricas do mundo. O presidente apenas se esquece de dizer que a educação ainda é um problema cultura no Brasil e o tráfico tem sido a única alternativa para muitas crianças de comunidades carentes onde este “futuro” está longe de chegar. Mas voltemos ao futebol.

O futebol é ainda a cara do Brasil no mundo e é visto como uma guerra na qual não existem armas e a única finalidade é derrotar o adversário e fazer valer o poder do seu país. O engraçado é que a grande maioria dos brasileiros, e nós nos incluímos nesta parte, não canaliza esta mesma disposição para cobrar melhorias ou protestar contra a corrupção no país.
Todo brasileiro se diz patriota e que ama seu país, mas será que todo este “amor” não está apenas relacionado ao futebol e à imagem do país no exterior? Patriotismo não é apenas vestir verde e amarelo todos os dias.

Para entendermos as raízes do nacionalismo no Brasil temos que voltar nos tempos da colonização, no momento em que tivemos a proclamação da independência e a instituição da nossa República. O nacionalismo é uma doutrina, que vem do conceito de lealdade, sendo muito importante para Estado que necessita constantemente das aprovações do povo para tornar mais fácil seu governo.

Um caso mais recente é a descoberta do Pré-Sal. As pessoas se enchem de orgulho pelo país ter descoberto uma nova fonte de petróleo. O presidente Lula, obviamente, aparece com os nove dedos sujos de petróleo dando a entender que finalmente o petróleo do Brasil é nosso.
Não que realizar uma copa e uma olimpíada no Brasil seja uma coisa ruim, pelo contrário, o legado destes eventos ainda continuarão muito úteis para o país por muitos anos, mas o problema está em se alienar por estas conquista em detrimento de outros problemas que estão sendo varridos para debaixo do tapete como a corrupção, por exemplo.

Um comentário:

  1. O grupo compôs um texto de opinião, que se opõe ao valor atribuído ao futebol no Brasil em detrimento do interesse do público por assuntos políticos, e não de análise do nacionalismo por meio das notícias sobre futebol. O texto, portanto, contém juízos de valor em relação à paixão pelo futebol do brasileiro. As vitórias da seleção brasileira de futebol são utilizadas como instrumento de exaltação de sentimentos nacionalistas, assim como os assuntos relativos ao petróleo, pela mídia e pelo governo. Essa valorização responde a interesses de grupos econômicos e políticos, mas isso não fica claro no texto já que ele se foca no ataque ao interesse pelo futebol em detrimento da política. Além disso, quando afirmam: “O nacionalismo é uma doutrina, que vem do conceito de lealdade, sendo muito importante para Estado que necessita constantemente das aprovações do povo para tornar mais fácil seu governo.” Considero que revejam essa análise, numa sociedade democrática o Estado não tem que governar MAIS FÁCIL com a aprovação do povo, ele tem que governar com os conflitos legítimos próprios de um exercício democrático, aprovar o Estado com base na lealdade patriótica e nacionalista é concordar com o sistema totalitário.
    Por último, o grupo não identifica as referências que utilizou para compor a análise.
    Adriana Martinez

    ResponderExcluir