domingo, 25 de abril de 2010

O jogo de palavras: do protesto à sobrevivência

Em 1º de abril de 1964, alegando proteger o País da subversão, os militares, por meio de um golpe, tomaram o poder no Brasil. Até 1985, o país sofreu duramente com a perseguição política, supressão dos direitos constitucionais, e a censura. E mesmo atormentados pela repressão, os artistas continuaram a reclamar do regime por meio de suas obras.

Nos primeiros anos do regime militar, a censura cultural não se estabeleceu imediatamente. É no governo Costa e Silva, com a publicação do Ato Institucional nº 5 (AI5) – que retirava todos os direitos dos cidadãos -, que os artistas passam a sofrer séria perseguição. Nada escapava dos fiscais da censura, que muitas vezes proibiam canções, filmes e peças teatrais, que não continham o menor sinal de contestação ao regime. No governo Medici (1969-1974) a perseguição alcançou patamares impressionantes, com prisões, torturas e exílios.

A resposta dos artistas ligados ao movimento musical ao endurecimento do regime e o aumento da repressão foi dada com canções que tentavam encontrar um meio de burlar a censura e alcançar a população. Para isso os músicos, engajados numa produção massiva, na chamada “Era dos festivais”, tinham como arma o uso de metáforas. “ (...) Há soldados armados, amados ou não / Quase todos perdidos de armas na mão / Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição / De morrer pela pátria e viver sem razão (...)”, cantava Geraldo Vandré em “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, canção que virou hino contra a ditadura militar. A canção “Apesar de Você”, de Chico Buarque, que parecia tratar de uma briga entre namorados era um recado ao general Medici: “ (...) Você vai pagar e é dobrado / Cada lágrima rolada / Nesse meu penar / Apesar de você / Amanhã há de ser / Outro dia / Você vai se dar mal (...) ”. A censura só percebeu o “recado” ao governo, depois que a música caiu na boca do povo.

Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque foram apenas três dos muitos músicos que não se calaram e tiveram que recorrer ao exílio por causa da perseguição política. Caetano e Gil foram presos em 1968 e se exilaram em Londres, na Inglaterra, em 1969. Chico fora chamado para interrogatório dias antes da prisão da dupla baiana, e proibido de deixar o País. Em 1969 recebeu autorização para participar de um festival em Cannes, na França, e seguiu para o auto-exílio na Itália. Mesmo exilados, os três, assim como outros artistas brasileiros, continuaram a usar do jogo de palavras nas canções para expressar o descontentamento, a revolta, e a vontade de um País diferente.

As ditaduras têm uma face repressora que ameaça desaparecer com todo pensamento contrário. Mas, sejam nas canções ou no olhar de um povo, a liberdade resplandece, à espera que a democracia se avive.

“No novo tempo, apesar dos castigos / Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas / Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer / No novo tempo, apesar dos perigos / A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça / Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver” (“Novo Tempo” - Ivan Lins e Victor Martins).

Ana Carolina Souza
Bethânia Morico
Guilherme Pallesi
Luiz Felipe Zamataro
Luiz Paulo Montes
Thais Carvalho

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Vinte um anos de luta pela democracia!



Após o estabelecimento da ditadura militar, que teve início em 1964, foram muitas as mudanças relacionadas com a liberdade de expressão, entre elas, a censura nos meios de comunicação foi a mais drástica já vivida na história do país. A principal intenção dos militares era reforçar os ideais positivos da nação e ocultar qualquer tipo de crítica ao governo.

A Ditadura foi um período marcado pela opressão militar. Houve uma censura rigorosa das informações que era transmitida aos cidadãos, tudo era revisado pelo governo antes de ser publicado. A idéia era transmitir à população que as coisas estavam ocorrendo bem e, que o país estava em ordem de ‘bem comandado’. Por esse motivo os jornais foram obrigados a publicar poesias e até mesmo receitas.

Foi nesse período que a UNE (União Nacional dos Estudantes) se organizou e começou a agir efetivamente contra o regime militar. As passeatas eram uma forma de exteriorizar a insatisfação causada pela censura.
Em junho de 1968 houve a passeata dos cem mil, organizada pelo movimento estudantil, que contou com a ajuda de intelectuais e até mesmo artistas. Essas pessoas prosseguiram em protesto com uma enorme faixa escrito: "Abaixo a Ditadura. O Povo no poder". É claro que o governo repreendeu esses opositores e muitos estudantes foram detidos e presos. Mas, mesmo com a repressão as manifestações continuaram.
Oscilando entre graus de maior e menor intensidade, a censura teve seu ápice no período da publicação do AI – 5, no governo Médici, quando estas manifestações populares estavam no auge.

Com a instauração do AI-5, ato institucional que vetava as manifestações de caráter popular, suspendia o direito de habeas corpus em todos os tipos de casos jurídicos e impunha a censura nos veículos de comunicação, foi possível que os militares utilizassem medidas mais drásticas. Muitos foram exilados, assassinados, presos, torturados ou simplesmente desapareciam.
Durante a Ditadura foi criado o ‘Destacamento de Operações de Informações- Centro de Informações de Defesa Interna’ (DOI-CODI), que era um orgão de repressão. Os militares ameaçavam muitas pessoas que transmitiram oposição ao regime. Um exemplo de repressão e abuso do poder que esse órgão exerceu, é o caso do jornalista assassinado Vladimir Herzog. Ele dirigia o telejornal da TV Cultura, quando dois agentes da polícia entraram na redação e levaram-no ao DOI-CODI, onde foi torturado e morto. A morte de Herzog causou ainda mais revolta na população e, impulsionou fortemente o movimento pelo fim da ditadura militar brasileira.

Com todos estes acontecimentos, a população foi sendo despertada para agir e participar da política nacional, mesmo que de uma maneira mais indireta. Surgem então muitos nomes artísticos que incluíam seus ideais de mudanças através de letra de músicas, obras de arte e filmes. Toda a forma de produção cultural que ocorria neste momento destaca a contestação e a insatisfação pública, que interferiria posteriormente na situação do país.

A ditadura militar brasileira controlou os meios de comunicação. Nos anos 80 a luta dos movimentos estudantis teve mais impacto sobre o regime. Nas manifestações, a evidência pela Democracia crescia ao mesmo tempo que na Inglaterra ocorriam os movimentos punks, que também evidenciavam ideais de liberdade de expressão. Os músicos brasileiros consolidavam suas ações com o objetivo de alcançar os jovens para opinar na política. Hoje ocorre o inverso, os jovens se preocupam com diversões distantes à política e se rebelam nas poluições visuais, na violência e no abuso excessivo de drogas. Preocupações que estão bem distantes e nada relacionadas às mudanças no quadro político e social do país.
Deveríamos refletir mais sobre a frase: “Vem, vamos embora, que esperar não é saber,quem sabe faz a hora,não espera acontecer...” versos da música de Geraldo Vandré que foi escrita na década de 60,durante a Ditadura Militar.


Carlos Alberto
Dayana Holanda
Fernanda Galib
Mariana Ledo
Sâmia El Saifi

Milagre ou Ilusão?

A ditadura militar, que ocorreu no Brasil no período de 1964 a 1985, é um período que marcou a vida de muitas pessoas pois foi marcado pela falta de democracia, censura, perseguições, a todos aqueles contra o regime militar.

Com a crise de 1961 que o país vinha enfrentando devido à renúncia de Jânio Quadros, assumiu a presidência o vice João Goulart num clima adverso. Depois dele alguns governos como o de Castello Branco, Costa e Silva e o da Junta Militar ainda se passaram, mas foi quando o general Emilio Garrastazu Médici assumiu a presidência da república, que o “milagre econômico” aconteceu. O país vivia um período de muita repressão à luta armada, forte censura a jornalistas e artistas.

Apesar de ser considerado o governo mais duro e repressivo, na área econômica o Brasil crescia rápido, foi um período que durou de 1969 a 1973, o PIB brasileiro crescia com uma taxa de quase 12% ao ano, e a inflação estava quase a 18%. Graças aos investimentos estrangeiros o país conseguiu avançar e obter uma boa base de infra-estrutura. Muitos empregos também foram gerados, e algumas obras chegaram a ser consideradas faraônicas, como a ponte Rio-Niterói e a hidrelétrica de Itaipu.

Todo esse investimento teve um preço muito alto, pois a dívida teria de ser paga no futuro. Os empréstimos causaram uma dívida externa muito alta para os padrões de economia do Brasil. No ano de 1976 o presidente Ernesto Geisel anuncia ao mundo a falência do modelo de crescimento com endividamento externo, e o povo é obrigado a pagar as contas por meio de pacotes, ajustes e planos de estabilização criados pelo governo. A partir daí então a economia entra na longa estagnação econômica que durou mais de 30 anos.

O milagre, que na verdade era uma ilusão, tratava-se de uma economia baseada no objetivo de extrair juros sobre juros indefinidamente obtendo empréstimos estrangeiros e os aplicando internamente, o grande valor desses empréstimos então passou a ser uma grande dívida que transformou em reféns o povo brasileiro. O Regime Militar fez com que a economia brasileira se tornasse a “economia do desperdício”, e as medidas provisórias serviram apenas para coagir o povo e fazer com que ele pagasse uma conta que não é sua.


Dário Rodrigues de Souza

Caos: combustível da política Tropicalista


"Não se pode olhar a lua sem se fazer política." (Augusto Boal)
Tudo o que se faz é política. O movimento Tropicália, não poderia deixar de ser. Formado por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, etc, o Tropicalismo vinha do standart (arte da transformação, arte que modifica), como oxigênio para "enfrentar" a Ditadura Militar. Sendo visto pelos seus adversários como um movimento sem comprometimento político, um movimento comum, (como tantos outros), de crítica a Ditadura, o "foco" da Tropicalia não era estabelecer realmente, nenhuma referência as estruturas políticas-ideológicas que o Brasil estava passando, mas sim, que o poder "estético" valia por sí só como "revolucionário".

Espalhando o caos e encontrando-se no "senso crítico", o Tropicalismo conseguiu em meio a um gigantesco buraco negro da Ditadura, compor músicas que transformaram o país e ter músicos que inspiraram o mundo. A Tropicália conseguiu definitivamente, romper a ortodoxia crítica que dizia que o "valor" da produção de música popular brasileria "séria", só estaria ligado diretamente a uma política de esquerda e nacionalista!

Pensando em englobar os acontecimentos da Ditadura, dos Anos Rebeldes, fica claro que todos eles - Movimento Estudantil (rebeldia dos jovens nos EUA), Revolução Sexual, Cinema Novo (Glauber Rocha revolucionou o entendimento de transformação da arte com o filme "Terra em Transe"), Festvais de Música, os Hippies (que em Paris tomavam as ruas, espalhando esse então "conceito" de vida e de existência para o mundo), o Exílio, a disputa entre Direita e Esquerda - sem exceção, foram o "combustível" para a liberdade de criação expansionista do Tropicalismo.

O documentário "Política Intervencionista dos EUA na América Latina", do premiado jornalista John Pilguer, traz em um dos depoimentos, uma frase do ex presidente dos EUA, Richard Nixon, o que disse uma vez em relação a América Latina que: "As pessoas não querem saber do lugar onde vivem."Ele estava errado. O grande desejo dos EUA, como Império Moderno, é o de dominar todo o continente latino-americano, não se contentando apenas, com o quintal da sua própria casa e foi "impulsionado" por isso, que o Tropicalismo não surgiu a partir do "momento Rock" que o mundo estava vivendo, mas sim, de "sub-pressões" das inverdades.AI-5: "O Estado poderá suspender os direitos políticos de qualquer cidadão."
Stella Curzio

segunda-feira, 22 de março de 2010

Nacionalismo invade as propagandas comerciais

Por Ananda Almeida e Débora Emílio

Que país não gostaria de ter uma empresa assim?”; “Se o nosso país tem muitos desafios pela frente, não vai faltar energia para vencer cada um deles”; “No pé, a gente é bom, mas na África, a mão também vai fazer diferença”, “Guaraná Antártica – Original do Brasil”. A príncipio, pode parecer apenas marketing dos comerciais, mas a publicidade pode estar vendendo outras coisas além de seus produtos.

"A gente já passou por muita coisa. Vinte anos atrás não dava para imaginar que o Brasil ia superar a inflação. (...) Dez anos atrás, quem podia imaginar a gente emprestando dinheiro para o FMI, ....” O comercial da Chevrolet aparenta manifestar a ideia de que, assim como o carro que está sendo divulgado, com toda sua tecnologia e inovações, o Brasil também é perfeito. Ao falar sobre o empréstimo de dinheiro ao FMI, que antes era a organização que concedia fundos ao Brasil, incita no espectador a ideia de que o Brasil está se tornando poderoso, passando à frente dos países desenvolvidos (o carro novo ultrapassando os antigos). O brasileiro, então, pode começar a desenvolver o sentimento nacionalista, que é a ideologia de uma única identidade para todos os indivíduos de uma nação.

A aversão de brasileiros quanto aos argentinos não é rara de se encontrar. Aqueles, no entanto, sequer sabem o motivo do sentimento de rivalidade com o povo argentino. O comercial das Havaianas com o ator Lázaro Ramos parece ressaltar a superioridade que o Brasil acredita ter em relação à Argentina. Segundo o comercial, entre brasileiros pode-se enxergar os defeitos que aqui existem, mas, diante do turista argentino, precisaram mostrar as qualidades do país, incitando que é um país perfeito. Além disso, o próprio slogan dos comerciais das sandálias Havaianas – “Recuse imitações” – pode dar a entender que o brasileiro tem que comprar chinelos fabricados no Brasil, rejeitando produtos de outros países.

Segundo matéria do jornalista Marcio Aith, da Folha de São Paulo, uma “’publicidade-exaltação’ está invadindo os comerciais”. Além de estarem incentivando o sentimento nacionalista, as propagandas também estão veiculando ideais pró-governo. “O problema é distinguir marketing da simples adulação - em outras palavras, se o produto anunciado é o governo”. No entanto, as empresas que transmitem os seus comerciais com um quê de nacionalismo argumentam que é a satisfação dos clientes que contamina as propagandas. [Leia a reportagem de Marcio Aith na íntegra]

A imagem dos brasileiros mostrada por muitos comerciais, principalmente, nos de cerveja, é a de um povo trabalhador, que passa por muitas dificuldades, mas, mesmo assim, continua feliz e consegue atingir os seus objetivos, pois é um povo guerreiro. Mas, até onde devem ir os limites do “orgulho em ser brasileiro”?

Seleção Brasileira x Nacionalismo

Definida por Marx, “ O socialismo é uma forma de produção”. Mais a qual produção ele se refere? A produção que o nacionalismo é uma ideologia particular e universal, no qual suas características são fortes e onipresentes, onde legitima as nações pelo fato da sociedade está organizada em estados-nação; Mais que pode assumir uma característica radical com consequências violentas ao invés de resultantes.

Partindo disso, vamos analisar o nacionalismo no futebol brasileiro, buscando apontar diferenças entre países como Brasil e Estados Unidos, a cultura Popular e a Midia.

De quatro em quatro anos o Brasil todo se tinge de verde e amarelo. As lojas de roupas começam a mostrar seus novos modelos estilizados, com o nome do país do futebol, por um valor maior do que seria vendido fora dessa época. Isso mesmo! As pessoas só consomem roupas do Brasil de quatro em quatro anos, fora isso, o mínimo que elas usam é o famoso “I Love USA”.

Tirando o carnaval, a copa é a “festa” que os brasileiros mais esperam, o comércio fecha na hora do jogo, as pessoas largam tudo que estão fazendo para vibrar junto e acompanhar cada partida da seleção, em dia de jogo as pessoas que trocavam apenas olhares todas as manhãs no metrô, agora trocam palavras empurradas pelo entusiasmo de falar do futebol, do vencer, do seu país... Nesse dia, milhares de dedos estalam de ansiedade para sair mais cedo do trabalho e assistir ao jogo. Nos transportes, a festa e a briga para chegar o mais rápido em casa são intensas.

De fato, o futebol é a verdadeira paixão do brasileiro. A diferença mais acentuada entre o futebol inglês e o brasileiro nos seus primórdios diz respeito à profissionalização. Na Inglaterra, por exemplo, ela foi primordial para a popularização do esporte e no Brasil a profissionalização só ocorreu porque os jogadores estavam emigrando para países que pagavam salários mensais (principalmente Argentina, Uruguai, Espanha e Itália).

O País do futebol pode ser considerado um sinônimo para o Brasil. Mas não se assuste, em dia de copa é normal o Brasil parar de funcionar. É esse entusiasmo quem guia o estado de espírito das pessoas, elas vestem a camisa do seu país até a sua vitória, porém, tudo pára aí. Independente de mais uma taça ou não, quando acaba, o Brasil perde as suas cores e tudo volta para o rotineiro cinza de cada um.

Se olharmos do ponto de vista da cultura popular brasileira também vamos identificar traços desse nacionalismo exagerado. No verso da música “moro num país tropical, abençoado por Deus”... ou na expressão popularesca “Deus é brasileiro”, encontramos um nacionalismo ligado à religiosidade, o quê é ainda mais perigoso. Em fatos cotidianos também podemos observar à mesma situação.Recentemente, o empresário bilionário Eike Batista, declarou que “o Brasil é o melhor país para se investir no mundo e a atual economia prova isto”. Obviamente que Batista é muito inteligente e sabe que está falando algo muito exagerado e prematuro, mas uma vez que suas empresas têm ações na bolsa e trabalham em território nacional, o empresário usa deste sentimento nacionalista para vender seu peixe.

E do lado midiático? Se fossemos nomear uma forma direta para esse nacionalismo, quando o assunto é futebol, sem sombra de dúvida, a mídia seria a escolhida.

Foi ela que transformou o futebol em festa, que faz o brasileiro despertar um sentimento de esperança em ganhar um titulo que, no final das contas não irá alterar o cotidiano da população. Para o governo essa também é uma época excelente, pois a preocupação de qualquer cidadão é: ‘será que eu vou conseguir assistir ao jogo?’; e não se o governo está aplicando corretamente o dinheiro que arrecada com impostos, se o desemprego aumentou...

E, no final do campeonato se a seleção ainda sair campeã, o governo convida o time e a comissão técnica para ir até Brasília receber uma homenagem. E passa para toda população que ficou dias só torcendo a sensação de que, política e futebol andam juntas, de que ambas estão ‘ótimas’ porque houve uma ajuda do governo para a vitória do país no futebol!


Bruna Campanholo
Bruno Garcia Mirra
Carla Roberta Brasiliense
Dannilo Martins Autorino
Jacqueline Lopes Sobral

Viva à nação ou viva à seleção?


Mais do que uma simples ideologia, o nacionalismo se mostra como uma forma de explicar um orgulho exacerbado pela própria pátria e preconceito com pessoas de outras etnias ou nacionalidades.
No clube Atlético de Bilbao há uma clara demonstração da ideologia nacionalista. O time do País Basco é formado somente por atletas nascidos na região. O argumento para a exclusão é que o time deve valorizar a própria cultura e por esse motivo nenhum jogador espanhol ou de qualquer outra nacionalidade pode fazer parte da equipe. No país, esse tipo de comportamento é de certa forma comum, já que há tempos os bascos tentam sem sucesso a separação da Espanha, liderados pelo grupo ETA (Euskadi Ta Askatasuna).
O Brasil não está isento desse tipo de patriotismo, a diferença é que em nosso país a ideologia se manifesta com mais intensidade nas épocas de Copa do Mundo. Em outros momentos, alimentamos um “nacionalismo mascarado”: que só existe quando algo bom acontece no país ou quando resolvemos reivindicar algo que de fato pode afetar nosso cotidiano. De quatro em quatro anos mostramos ao mundo o quão patriotas somos ao não trabalharmos em horário de jogos da seleção e vestirmos verde e amarelo, simbolizando o orgulho de ser brasileiro. Mas quando não há grandes competições de futebol passamos os dias reclamando dos políticos, da falta de empregos e tantas outras coisas, e dizendo a quem quiser ouvir o quanto o Brasil é subdesenvolvido e ultrapassado.
O “nacionalismo” brasileiro não é o nacionalismo fundado nas raízes da ideologia patriótica, do amor pelo país nem da preservação da cultura nacional, mas o do orgulho passageiro que só aparece quando convém. O brasileiro só vai poder se considerar nacionalista ou patriota quando deixar de ser apenas o “único pentacampeão mundial” e começar a defender o lugar onde nasceu mesmo com todos os defeitos que ele possa ter.

Brunno Minelli
Costantino Nicholas
Marília Torello
Marina Sakovic
Rafael Abreu
Renan Palhares